Após aquele 03 de outubro, o desânimo tem me visitado com freqüência. Pra piorar, eu perdi minha sonhada oficina de Parangolé do dia 04 no FEIA 11. Talvez eu não seja tão oitimista como pensei. Eu sei, para muita gente é "tanto faz como tanto fez", é que eu tenho uma compulsão por novidade, sabe? Muita televisão? É possível, mas não só. No fundo no fundo, resta sempre aquele gostinho por transformação, uma vontade que já nasce frustrada, porque ninguém transforma aquilo que não é seu. Pelo menos não sozinho.
Se eu seguisse o tio Schopenhauer, eu afirmaria que a vontade é livre e, portanto, não é passiva. Porém paradoxalmente, a meu ver, pra juntar um monte, é necessário transformar a vontade. E pra construir a vontade, a primeira e imediata consequência deve trazer algo de prazer, como uma dádiva qualquer para estufar o ego e abastecer o entusiasmo. O prazer não se obriga, nem se finge (só se deixam enganar, os olhos que não querem ver). Se ensina. Ensina? Alguns dizem "você aprende a ter prazer", aprende?
Não sei, entretanto acredito que existe algo de intuitivo no prazer, e intuição também lembra arte: "A arte transforma" ou são os humanos que transformam coisa em arte? Bem, se a arte transforma, certamente não é a vontade. Existem mil espetáculos de teatro e de dança em S. Paulo que eu tenho a maior preguiça de ir lá assistir. É a arte blasé! Outros cem eu gostaria muito de ver e iria com prazer. Taí, para transformar o prazer, estimular a curiosidade, a qual tem a magia de nos colocar em ação.
A ação que instiga a curiosidade que estimula o prazer que transforma a vontade de um monte de gente. E juntando um monte, surge a novidade.
Porque o mundo precisa de mais poesia:
Por outro lado, a dúvida que me corrói é se tudo isso não é mero efeito quixotesco (?). Enfim... foi também um desabafo.
Por esses dias (meses), meus amores estão todos absorvidos em trabalhos de campo, escrever, escrever e escrever. A Mayra acaba de voltar de um campo sobre vegetarianismo: e aí, Ma, os vegas conseguem transformar a vontade? O Xuxa está recluso feito um xamã, preparando poções academicistas verdadeiramente mágicas naquele chalezinho no Village. Nos toqueiros da Flávia, a vontade foi castiçada. E a Thais se esparrama cada vez mais na poesia do Teatro Oficina. Ana e Stella, quero mais notícias!
Assim, o presente que deixo a todos esta semana é 'Brandenburg', que acho linda e de certo modo o efeito de ouvi-la é mais ou menos semelhante ao de ler este post, com uma imaginação super ativa, é claro.
Casa do Poeta de Campinas
0 comentários:
Postar um comentário