segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"A ajuda internacional não se vê, não se come nem se bebe, só se escuta"

17 17UTC Janeiro 17UTC 2010

Acordamos bem cedo, após uma noite ainda repleta de pequenos tremores, na certa muito menos sentidos por nós do que por haitianos que têm suas casas por um fio. Terminamos de arrumar nossas coisas, nos despedimos do grupo do Viva Rio e dos haitianos que estavam na casa, como o Roudy, nosso incrível “pwofesè kreyòl”.

Subimos no Kia branco e seguimos pra Pétionville, em direção à garagem da Caribe Tours, o primeiro lugar onde paramos no Haiti. Como o caminho era inclinado, o cenário não era diferente do que temos visto desde o dia 12 de janeiro. Casas no chão, pessoas em trânsito constante, comércio nas ruas, as “dames sara” levando imensos sacos na cabeça e, dessa vez, alguns caminhões da ajuda internacional em desfile.

Chegamos à garagem da Caribe Tours e embarcamos em direção a Santo Domingo. No caminho, a solidariedade entre os haitianos que víamos foi destacável, feiras sendo improvisadas, distribuição de água, organização em torno dos “tap-taps” que pareciam buscar uma saída numa outra cidade.

Qual não foi a surpresa quando passamos em frente ao QG da Minustah (ONU). Vários dos carros, caminhões e tanques estacionados numa paisagem desértica do subúrbio de Porto Príncipe…

Dentro do ônibus, alguns de nós choravam em silêncio. Um choro de despedida e ao mesmo tempo de compromisso. Compromisso não com uma embaixada e uma ajuda internacional que se mostra até agora tímida, titubeante e autocentrada. Como relata um haitiano num jornal da República Dominicana, “a ajuda internacional não se vê, não se come nem se bebe, só se escuta”.


Rodrigo Charafeddine Bulamah

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